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“Um Sinuoso Modo de Correr” apresentado na Biblioteca Municipal

“Um Sinuoso Modo de Correr” apresentado na Biblioteca Municipal

Isabel Pereira Rosa, autora e ex-docente natural da Tojeira (Vilar), regressou à Biblioteca Municipal do Cadaval, no passado dia 3 dezembro, para apresentar a sua décima obra literária, “Um Sinuoso Modo de Correr”. A sessão também contou com a participação musical do pianista Gerardo Rodrigues, também ele com origens no concelho.

Ricardo Coelho, Chefe do Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara Municipal do Cadaval, encarregou-se da abertura da apresentação. Antes de fazer um breve resumo biográfico da autora, salientou que, para o Município é «sempre importante receber autores neste espaço e uma enorme satisfação quando esses autores são ‘filhos da terra’, como é o caso da Professora Isabel Pereira Rosa».

Tânia Camilo, Técnica Superior da Biblioteca Municipal, a pedido da autora, leu aos cerca de 30 leitores e amigos presentes na sessão, um artigo publicado na Revista Caliban por Maria João Cantinho, poetisa, ensaísta, escritora, crítica literária e amiga pessoal de Isabel Pereira Rosa.
 
Para Maria João Cantinho, para «esta obra, que retrata uma sociedade pós-catástrofe, Isabel Pereira Rosa investigou bastante sobre as alterações climáticas, assim como revela um olhar atento aos problemas vários da sociedade contemporânea. E é numa atmosfera de estranha envolvência, entre o onirismo e a ficção, que poderemos aqui chamar de ficção científica, que se desenvolve toda a história de “Um Sinuoso Modo de Correr”, título retirado de um verso de um poema de Fiama Hasse Pais Brandão, mais precisamente do livro “O Nome Lírico”».
 
A crítica literária explicou que esta «obra é constituída por um prólogo, duas partes, sendo a primeira a narração dos vários factos, a segunda intitulada “Se”, introduzindo uma hipótese, e um epílogo final.»
 
Como aspetos mais relevantes, destacou «a importância do sonho, que se confunde com a realidade, funcionando ora como pesadelo, ora como revelação do caminho e da decisão a seguir.»
 
A autora Isabel Pereira Rosa concluiu o momento de intervenções. Começou por agradecer «à Câmara e à Biblioteca Municipal do Cadaval, que me fazem sempre sentir em casa e também ao Gerardo Rodrigues, pela sua enorme generosidade.»
 
A ex-docente explicou que neste livro pretendeu «falar das minhas grandes preocupações, que são certamente a de muitos de vós. Abordei temas como as alterações climáticas, as grandes assimetrias sociais, corporizadas no fosso que se abre na povoação (logo no início), a violência doméstica e o abuso infantil nesse contexto, a discriminação de minorias, o aumento crescente dos novos fascismos e nazismos, os abusos e os jogos de poder, as migrações, que tenderão inevitavelmente a aumentar com as secas e o aumento do nível das águas nas zonas costeiras, e claro, os temas universais e intemporais que são o amor e a morte».
 
«Como já é habitual nos meus livros, algumas partes são inspiradas em realidades que vivi ou presenciei mas, como alguém disse, a realidade e a ficção podem estar muito próximas, podem mesmo tocar-se, mas são sempre distintas», referiu Isabel Pereira Rosa.
 
Antes de dedicar esta obra à sua família mais próxima, a autora confessou que, «ao rever a segunda parte, em que se fala do que poderia ter acontecido se as pessoas tivessem agido de maneira diferente, questionei-me se isso poderia ser interpretado como paternalismo, como se a autora quisesse convencer os leitores da forma como deveriam viver ou ver o mundo. A intenção não foi essa, mas antes criar no livro o debate que me parece faltar na sociedade, sobretudo no que respeita às alterações climáticas, não para convencer ninguém mas para favorecer a reflexão.»
 
A sessão terminou com a terceira e última atuação de Gerardo Rodrigues, que intercalou a intervenção de cada um dos oradores com um apontamento musical. “Saudade”, “Sem Palavras” e “À Deriva” foram os temas escolhidos pelo pianista.
 
“Um Sinuoso Modo de Correr”, com a chancela da Astrolábio Edições, sucede às nove obras já publicadas por Isabel Pereira Rosa no passado. O primeiro, “Folhas Soltas”, foi apresentado na antiga Biblioteca do Cadaval, em 1998; seguiram-se os livros infantis “O Tesouro da Serra de Montejunto” e “Sozinho(s) em Casa”, de 2000 e 2003, respetivamente; “Memórias de uma Professora” foi apresentado no dia da inauguração da atual biblioteca, a 19 de setembro de 2009; seguiu-se o romance “A substância do Tempo”, de 2011; “Diário da minha Loucura”, em 2014; “Uma Pedra contra o Peito”, em 2015; “Parkinson, meu amor”, em 2019; e “FOZ – Uma história da pandemia”, de 2021.

14 December 2022

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