Natureza - Serras / Paisagens | Cadaval Cativa

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Serra de Montejunto

A serra de Montejunto localiza-se em pleno coração da zona Oeste, a 50Km para nordeste de Lisboa, a meio do caminho entre o rio Tejo e o Oceano Atlântico, localizada no extremo Sul do Concelho do Cadaval e a norte do Concelho de Alenquer, ergue-se majestosa e deslumbrante a Serra de Montejunto, um local tranquilo, ideal para escapar à cidade e com muito para descobrir.

Montejunto: uma serra no coração do Oeste

“A duas legoas e meia de Alanquer contra o Norte se levanta a serra que hoje chamão de Monte junto. A maior antiguidade lhe chamou Monte sacro, e também Monte tagro… Nós a pudéramos nomear por hum só monte de pedra, ou huma só pedra, ante que serra.” (Frei Luis de Sousa, séc. XVII)

 

Localização e enquadramento geográfico

A Serra de Montejunto localiza-se em pleno coração da Região Oeste, a cerca de 50 quilómetros para Nordeste de Lisboa e sensivelmente a meio caminho entre o Oceano Atlântico e o rio Tejo. Pertencendo na sua totalidade ao distrito de Lisboa, está dividida administrativamente entre o concelho de Cadaval e Alenquer, no entanto, é ao Concelho de Cadaval que pertence a maior área territorial da serra. Este maciço calcário, meio desgastado pela ação erosiva dos ventos salinos que vêm do oceano, constitui o limite Sul do “Maciço Calcário Estremenho”.

A sua silhueta arqueada e poderosa polariza toda a paisagem arqueada e poderosa polariza toda a paisagem envolvente, avistando-se de muito longe. É o Miradouro natural mais alto da região Oeste com os seus 666 metros de altitude. Daqui se podem avistar, em dias claros, horizontes tão vastos que para Norte atingem as ilhas Berlengas, o Cabo Carvoeiro e o Sítio da Nazaré, para Sul avistam-se as cristas recortadas da Serra de Sintra e as planuras de Montemor, para Este os terrenos da lezíria até bem perto de Santarém.

A sua linha de cumeadas estabelece uma fronteira natural entre zonas climatéricas diferenciadas. A Noroeste as massas de ar húmido e frio, provenientes do oceano Atlântico, propiciam a formação de densas neblinas à volta dos principais cabeços; a Sudeste com uma maior exposição solar e abrigado dos ventos o clima é mais seco e quente. Também o relevo contrasta entre as suaves colinas a Noroeste e Oeste, as elevações mais pujantes a sul e Sudoeste e as imensas planuras do Vale do Tejo a Sudeste, De igual modo essa fronteira se faz sentir na vegetação e na cultura das gentes que vivem em seu redor.

 

Clima

A serra de Montejunto é parte integrante do denominado Sistema Montanhoso Montejunto-Estrala, delimitador climático entre o norte e o sul do país. Estando situado a cerca de vinte quilómetros da costa Atlântica, com orientação NE-SW, funciona como uma importante barreira natural, uma cortina de altitude, à progressão das massas de ar marítimo, pelo que podemos observar condições climáticas bastante diferenciadas nas suas duas principais vertentes. A vertente NNW, virada ao mar, sofre a ação direta e intensa dos ventos oceânicos, mais húmidos e frios, com consequências evidentes na circulação hídrica, no coberto vegetal e até na própria morfologia superficial. A vertente SSE, com maior exposição solar e protegida dos ventos marítimos, é mais quente e seca, o que provoca um coberto vegetal mais esparso e mais rasteiro.

De um modo geral, as regiões calcárias caraterizam-se por uma ausência de cursos de água permanentes. Embora na serra de Montejunto se verifiquem médias anuais de precipitação que chegam a atingir os 1000 mm/ano, na encosta NNW, as águas escorrem rapidamente pelas encostas abaixo, ou então infiltram-se pelas numerosas fraturas e fendas da rocha calcária, até ao nível freático mais profundo, propiciando o aparecimento temporário de uma incipiente circulação subterrânea nas camadas mas superficiais. Deste modo, a serra funciona simultaneamente como centro de dispersão hidrográfica desta região e como zona de recarga dos aquíferos de Vila Verde dos Francos e de Matacães.

 

Paisagem Protegida de Âmbito Regional

Pelo Decreto Regulamentar n.º 11/99 de 22 de julho foi criada a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, como Área Protegida de âmbito Regional. Com a criação desta Área Protegida, pretende-se propiciar um usufruto mais equilibrado, em primeiro lugar por parte das populações locais, fomentando a promoção das atividades tradicionais, e também atrair visitantes para a prática de atividades de recreio e lazer ao ar livre, com respeito pelos valores naturais e patrimoniais existes nesta área.

 

Geologia: no reino dos calcários

A Serra de Montejunto pertence a uma unidade estrutural característica “Maciço Calcário Estremenho”. Este maciço, geograficamente descontínuo com orientação NE-SW, engloba as serras de Sicó, Alvaiázere e Maciço de Porto de Mós, constituindo a Serra de Montejunto o seu prolongamento para Sudoeste já na fronteira entre a orla ocidental e a bacia do Tejo. Sob o ponto de vista geológico, a serra é predominantemente constituída por rochas calcárias, apresentando formas superficiais típicas, de onde se destacam os vales escarpados e profundos a par de alguns pequenos planaltos e depressões, bem como as imponentes fragas, penhascos e penedias. Funcionando como uma grande “esponja de receção e absorção” das águas da chuva, que se infiltram pelas numerosas fendas e falhas, formaram-se no seu subsolo um conjunto apreciável de grutas e algares de dimensões e formas variadas.

 

Ilha de Biodiversidade: flora e fauna

Erguendo-se abruptamente entre o litoral e o vali do Tejo, a serra de Montejunto demarca-se da paisagem envolvente, não só pela altitude que atinge, mas também pelas suas características naturais. Localizada na região Oeste, surge como um dos últimos refúgios para muitos animais e plantas. Constituindo um espaço natural privilegiado, aqui podemos encontrar uma diversidade considerável de plantas e animais, assumindo as aves uma particular importância. Aqui nidificam cerca de 75 espécies, sendo que 10 são consideradas ameaçadas pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. A Águia Perdigueira Hieraeetus fasciatus, o Bufo-real Bubo bubo e o Andorinhão-real Apus melba, são mesmo consideradas raras a nível nacional. Podemos ainda encontrar uma considerável diversidade florística, quando comparada com a região envolvente. Foram já identificadas cerca de 400 espécies de plantas, o que constitui cerca de 15% da flora de Portugal continental. De entre estas existem alguns endemismos nacionais com interesse do ponto de vista da conservação.

 

Fonte: Roteiro Natural - Guia Pedagógico da Serra de Montejunto, 2000: 4-18

 

Mapa com a localização
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